O Avestruz andava com saudades dos verdadeiros amigos, de bom papo e de uma cerveja gelada. Marcamos de nos encontrar para um almoço descompromissado na Academia da Gula, misto de boteco e restaurante português na Vila Mariana.
Dona Rosa, portuguesa do Alentejo, cozinheira de mão-cheia e simpática que só, já virou referência pros botequinzeiros do pedaço. Seus pratos são deliciosas, tendo sido finalista do boteco bohemia algumas vezes.
Abrimos os serviços com uma serramalte estupidamente gelada e uma porção de punheta, bacalhau cru desfiado e marinado no azeite. Este petisco é dos pontos-altos da baixa gastronomia, um meio-termo entre a comida de botequim e o mais refinado restaurante português. O bacalhau dessalgado vem frio, suculento de tanto azeite, leve como uma pluma, acompanhado das indefectíveis azeitonas pretas portuguesas. Acompanhamento perfeito para resgatar os velhos tempos na companhia de velhos amigos.
Sentado àquela mesa, o avestruz percebeu que a vila mariana da portuga se encontra ensaduichada entre a modernização e a tradição, revelando nuances contemporâneas na sua carinha de bairro operário. Algumas casinhas deram lugar a prédios de alto padrão, mas o pequeno comércio ainda resiste e os arranha-céus convivem com mecânicas e barbearias de outros tempos, quando o avestruz passeava de bicicletas por estas ruas com ventos nos cabelos e um sorriso sonhador no rosto.
A animação aumentava a cada copo de serramalte e os amigos iam chegando pouco a pouco. Pedimos uma porção de moelinhas cozidas na cerveja, um dos melhores aperitivos que etse avestruz conhece, infelizmente rejeitado por alguns comensais de horizontes pouco amplos. As risadas ficavam cada vez mais altas. Os causos, cada vez mais cabeludos.
Experimentamos o novo petisco da casa, concorrente de mais um boteco bohemia: costelinha suína em vinha d’alhos com farofinha crocante. A mesa se dividiu. Alguns amaram. Outras se desapontaram. Este avestruz que vos relata admite que achou a farofinha mais saborosa (e surpreendente) do que a própria costelinha e sentenciou: não é páreo para a punheta, para a moelinha, para o escondidinho de bacalhau e muito menos para os incríveis bolinhos de bacalhau da dona rosa.
Sendo assim, todos os convivas concordaram em pedir uma porção dos pequeninos, crocantes e delicados bolinhos de bacalhau da dona Rosa. Um brinde à Portuga, gritaram enquanto a noite caía e o almoço virava happy hour. Que saudade dos meus amigos, da cerveja gelada e dos petiscos da Dona Rosa!
Serviço:
Academia da Gula – R. Caravelas, 374 - Vila Mariana – São Paulo – SP – tel. 11 5572 2571
Escrito por oavestruz
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