O Avestruz e sua digníssima resolveram passar a Páscoa em Nova York. Além das atrações óbvias e as inescapáveis comprinhas, a Big Apple reserva um mundão gastronômica para Avestruz nenhum botar defeito. Depois de pesquisar em blogs (alhos e que bicho), no Frommers e na TimeOut, e ainda baixar o Zagat (guia norte-americano) no iphone, O Avestruz costurou um tour apetitoso e sem preconceitos pelo mundo da comida novaiorquina.
No primeiro dia, chuvoso e frio, resolvemos inaugurar a viagem bem à americana: hamburguer e fritas. Próximo ao nosso hotel no Chelsea, tentamos o Empire Diner, que não é famoso pela qualidade de sua comida, mas pelo visual art-deco incrível. Infelizmente, não rolou. Estavam filmando no local e o diner estava fechado para o público.
Então o zagat no iphone entrou em ação: hamburguer com mais de 25 pontos (de um total de 30) e até 2 milhas de distância. Algumas opções surgiram. BRGR era a mais próxima e o Frommer’s também indicava como um dos melhores de Manhattan. E lá fomos nós! Mas o Avestruz decepcionou-se. O lugar não tinha charme nenhum, parecia um fast-food convencional do tipo pague-primeiro-coma-depois. A carne é proveniente de bois alimentados apenas com pasto, sem ração, e isso dá ao lugar praticamente toda sua moral. Uma pena! O x-salada do velho e bom New Dog, em sampa city, é melhor. Achei que os guias (zagat e frommers) supervalorizaram o lugar por conta de sua postura eco-amigável. Nada contra ser eco, mas tem que ser saboroso. Palavra de Avestruz.
Ao sair, a salvação do almoço: uma placa dizia que o shake havia sido eleito o número um de NYC pela New York Magazine. O frommers dizia algo parecido. O Avestruz seguiu seu faro e perguntou para a atendente qual shake era o #1. Blueberry Shake. E aí a terra parou e do céu, um raio nos iluminou. What a shake! Doce na medida e com textura sedosa, o shake era um escândalo, daqueles que mulheres grávidas sonham às 3 da manhã e marmanjos transformam-se em doces garotinhos no primeiro gole.
Almoço salvo, fomos “pernar” pelo Chelsea. Caminhamos uma dezena de quarteirões até o maravilhoso, paraíso dos glutões, Chelsea Market. Cheio de lojas, empórios, cafés e pequenos restaurantes, o mercado do chelsea é metido à besta por um lado e charmoso pacas por outro. Deixe-me explicar melhor. Não espere encontrar neste mercado lojas centenárias ou empórios tradicionais. Aqui não é a Boqueria (o maravilhoso Mercat Sant Josep de Barcelona). Aqui é uma antiga fábrica da Nabisco, transfomada num supercool market.
Lá tem a Fat Witch Bakery, o melhor brownie de NYC segundo muitos. Tem a peixaria mais limpa e organizada que este Avestruz já viu, The Lobster Place, com lindas lagostas expostas no gelo, além de um balcão de sushi para viagem. Tem a Amy’s Bread, padaria refinada e relax, onde tomamos um ótimo capuccino e comi um chocolate chip cookie de outro planeta. Tem a Hale & Hearty Soups, que serve saborosas sopas para viagem. Tem também o Chelsea Wine Vault, simpática loja de vinhos com ótimos preços (um Basa Rueda por US$ 13,99 é sacanagem!). E tem mais, mas muito mais que este Avestruz gostaria de ter diversos estômagos para, simultaneâmente, digerir um sushi de salmão com ikura, um brownie, um caldo de lagosta, uma taça de rioja e mais um chocolate chip cookie da Amy’s bread. Ufa!
À noite, a decisão mais acertada de toda viagem: The Spotted Pig, no west village. O lugar é chamado de gastropub, ou seja, um bar, com música alta e belas bebidas (cervejas inglesas on draught!) e comida gourmet. O Avestruz parecia criança com um pint de Old Speckled Hen na mão, balançando a cabeça ao som de The Clash. E o rango, meus caros, era incrível.
De entrada, dividimos uma cremosa mozzarella caseira numa infusão de azeite extravirgem e manjericão. Para jantar, a patroa escolheu bem: smoked haddock chowder, um caldo de haddock defumado, quentinho, aconchegante, saboroso e revigorante. Comida de marinheiro inglês, pensou o Avestruz enquanto devorava o incrível e surpreendente pork belly, ou seja, barriga de porco assada com cenouras e depois envolta numa folha de repolho, servida sobre risoto de cevada. Comida de operário inglês, pensou novamente este Avestruz, enquanto raspava o prato e lambia os beiços. Se houvesse um Spotted Pig em Sampa, com certeza seria o segundo lar deste Avestruz que vos escreve.
Depois desta refeição à inglesa, uma caminhada tranquila de volta ao hotel no friozinho gostoso da primavera novaiorquina. Cheers, mate!
Tirando onda em NY! What a world, what a life!
beijos, primo!
grande david,
posso dizer que do ângulo da big apple, a rapadura é apenas doce!
beijos, primo!