feliz aniversário, avestruz, no Chico & Alaíde

março 4, 2010

O calçadão de ipanema, a brisa e o sol convidavam para uma caminhada depois da esbórnia gastronômica no Fasano Al Mare durante o almoço. O Avestruz ainda tinha o dia de seu aniversário inteirinho pela frente e o Rio de Janeiro acenava com ócio e curtição.

Depois de uma esplendorosa tarde de praia no afamado posto 9, em Ipanema, a idéia era celebrar com o que há de melhor nesta vida: amigos, chopp e baixa gastronomia. E a dica da minha prima veio a calhar: o boteco dos ex-bracarenses Chico & Alaíde, no Leblon, foi uma escolha certeira.

Às 20hs, uma mesa nos aguardava próxima à choppeira. Chico nos recebeu com um copo de meia-pressão e aquele sorriso maroto no rosto. Nos tornamos amigos de infância naquele instante. Enquanto o boteco enchia de gente e o chopp gelado não paráva nas tulipas, meus primos cariocas chegavam para uma nova esbórnia de birita, petiscos e sorrisos.

Meu irmão, paulistano de nascimento e carioca por adoção, comandava os petiscos: bolinho de camarão com aipim e catupiry, empada de bacalhau, pastel de siri. Todos deliciosos, botequinzeiros em sua essência, mas feitos com capricho e cuidado gourmet.

A nota alta foi a descoberta do inesquecível, inusitado e imperdível bolinho de feijoada, feito com feijão preto, couve, linguiça e torresmo. Isso mesmo: feijoada pra comer com a mão, em doses homeopáticas, sem pesar na pança e na consciência. Deu uma saudade danada de tanta gente! Meus caros cãofrades das sextas-feiras teriam se deliciado com esta iguaria.

O Chico aproveitou a deixa e mandou umas caipirinhas de caju geladaças, doces e alcólicas na medida pro calor de fevereiro. A população da mesa crescia, os agregados chegavam, os amigos dos amigos se encostavam, os garçons páravam e gastavam sua simpatia.

Cercado por sorrisos e brindes, por pessoas queridas e lembranças de outros verões, por risadas gostosas e petiscos magistrais, o Avestruz estava nas nuvens.  Feliz Aniversário, Avestruz! Obrigado, Chico, pela festança. Obrigado, primos, pelo carinho. Obrigado, Rio, pelo astral.


feliz aniversário, avestruz, no Fasano Al Mare

março 3, 2010

Em fevereiro, este avestruz que vos escreve completou mais um verão. E, sem querer, em grande estilo. Por motivos profissionais inesperados, no dia de meu aniversário estava na cidade maravilhosa, nosso querido Rio de Janeiro, com a agenda totalmente livre.

Encontrei meu irmão, paulistano expatriado que vive tranquilamente no Rio, para um almoço fraterno e guloso de aniversário no fino da bossa: o Fasano Al Mare. Partimos pro menu degustação sem hesitação. Abrimos os serviços com uma taça de prosecco Fasano e uma troca de olhares com Madonna, a cantora, que dirigia-se a uma mesa próxima. Living the High Life, disse meu irmão. Prefiro AC/DC, replicou este avestruz.

Os frutos-do-mar à dorê (lula, camarão e manjubinha) estavam impecáveis. Leves, frescos, crocantes. O prosecco, com seu frescor e acidez, foi um belo par. Na sequência, mini lulas com ervilhas frescas e nhoque de azeitonas pretas. Uma taça de Petit Chablis nos levou às nuvens e fez o prato crescer alguns centímetros. Com este vinho e esta vista pra ipanema, não há coração de pedra que não amoleça, divaguei. Então vou trazer a patroa. Quem sabe não amenizo as coisas lá em casa, arrematou meu irmão.

O próximo prato foi de uma beleza digna da vista: tortelli de vitela com fondue de parmesão. Simples e saboroso, de um rigor encontrado apenas nos grandes restaurantes, foi uma grata surpresa. A esta altura, já estávamos num tinto vigoroso, italiano de alma riojana, pontente e amadeirado. O último prato, costeleta de cordeiro grelhada estava impecável. O ponto da carne, perfeito. E aí o tinto, um corte de sangiovese com cabernet sauvignon, atingiu seu ponto máximo.

A esbórnia não estaria completa sem a degustação de sobremesas. Das cinco opções, o tiramisu estava do outro mundo  - como um doce com café pode ser tão bom, bradava meu irmão – e o sorvete de pistache envolto em suspiro era o doce de criança reloaded, versão marmanjo gourmet. Um late harvest argentino em taça fechou lindamente a refeição.

Muitas lembranças, sonhos, lágrimas e risadas permearam este almoço magnífico. O sol ardia o areia branca de ipanema e os verões da infância passavam por nossos olhos, narizes e bocas. À mesa, nossa cumplicidade de irmãos, companheiros de jornada, era valorizada pelos sabores, texturas e aromas. Tudo evocava um momento mágico. E assim foi. Obrigado, Fasano e obrigado, Gabo, pelo almoço inesquecível de aniversário.


Balanço de Janeiro 2010

março 2, 2010

Janeiro foi um mês atípico. Muito trabalho, muita chuva e, por supuesto, belas refeições.

Voltamos de um fim-de-ano guloso e saudoso, que relatarei em outro post, para um janeiro cheio de novos trabalhos, muita chuva na cabeça e nenhum tempo pra descansar. Sendo assim, O Avestruz resolveu abrir o ano em grande estilo, jantando com sua digníssima no Kinoshita.

A comida é realmente impressionante. Escolhemos a degustação de 7 pratos, todos impecáveis, da execução ao paladar. Mas temos que admitir que há uma falha grave na maneira como a degustação está estruturada. Deixe-me explicar melhor: a cada prato servido, o garçom nos descreve o que iremos comer. Na primeira vez, é pitoresco. Na segunda, é interessante. Na terceira vez, é maçante e desagradável. Imagine isto ocorrer 7 vezes ao longo do jantar. Onde fica o prazer da descoberta? E o clima entre os comensais, constantemente interrompidos pelas explicações?

Esta é uma constatação curiosa para um avestruz tão curioso quanto comilão. Mas é inegável que a experiência é diminuída pela quebra do clima do jantar. Lembrei de um post recente do Luiz Américo Camargo, sobre a falação dos garçons. Lembrei-me também do meu velho pai, que ensinava que estar à mesa era o momento para alimentar o corpo e alma.  E nossos relacionamentos também. Que bom que no final do jantar, o chef Murakami encostou ao nosso lado para um breve bate-papo e, com toda sua simpatia, levantou o astral da noite.

A comida do kinoshita é deliciosa, mas transcende a culionária tradicional japonesa. O apetite d’O Avestruz por sashimis e niguiris estava ainda por saciar. E lá fomos nós ao impecável Sushi Kiyo. Quem não conhece está perdendo. O serviço carinhoso e a qualidade inabalável dos peixes e dos cortes nos fez voltar mais de uma vez ao longo de janeiro. Na terceira e última visita do mês, Carlos nos serviu um Toro incrível, gordo, suave, texturizado. Sua carne começava branca e, num incrível degradê, ficava rosada. Os cortes estavam tão perfeitos que o Avestruz lamentou ter apenas um estômago.

No dia 25.01, aniversário da Paulicéia, O Avestruz e sua esposa estiveram no Porto Rubayat. Quando a casa abriu suas portas em 2007, o Aestruz deleitou-se com a possibilidade de comer pescados à espanhola, sempre com o crivo da Família Iglesias. E assim foi por muitas visitas. Uma pena que nossa última visita foi melancólica. O restaurante não é mais o mesmo. Nada estava à altura do grande começo, quando a casa parecia um oásis. Daqueles dias, a única coisa que se manteve inabalável foi a conta. Uma pena.

Fechamos o mês de maneira mai low profile, resgatando nossas origens italianas no Pasquale. A casa é gostosa e descontraída, tem um clima misto, entre o familar e o botequim. Os antepastos são dignos de nota e a carta de vinhos apresenta valores aceitáveis, estimulando o consumo. Os molhos são corretos, gostosos e bem feitos, mas todo oriundi que se preze vai ter uma receita do coração  (ou da cabeça) mais saborosa e empolgante. Bateu uma saudade danada da massa fresca que meu velho pai fazia, embalada pelo seu simplérrimo e delicioso pomodoro e burro. Mas a burrata da Puglia e a sopressata valem a visita.

Uma pena a vida deste avestruz estar tão corrida que o balanço de janeiro só sai em março! êta blog frio da peste!


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