As coisas são estranhas. Ou melhor, ocorrem de maneiras estranhas, insuspeitas. Dias desses, li o lindo texto de alhos, passas e maçã sobre sua relação com gastronomia e a memória de seu pai. O texto, belíssimo e bem escrito até doer, cutucou este avestruz até não poder mais. No calor da emoção, escrevi um comentário que reproduzo abaixo:
Alhos,
Que baita texto este, rapaz, capaz de amolecer até coração feito de pedra. Já o coraçãozinho deste avestruz que vos escreve, e que perdeu o pai este ano, é feito de manteiga, gorda e generosa, como aquela que lambuzava os sanduíches de pão francês e presunto cozido da infância.
Meu velho, que cozinhava maravilhosamente bem e sempre reclamava do resultado, me ensinou tanto sobre comida, bebida, música e cinema, que olho no espelho e me vejo metade avestruz, metade reflexo e avesso deste cara que tanto amei.
Parabéns pelo blog e pelo texto.
Um grande abraço d’o avestruz
Estranho. Ainda sentia um gosto estranho, uma sensação de deslocamento. Demorou alguns dias até vir à tona, mas percebi que o avestruz estava perdido em sua gula e desconcentração. Na verdade, a brincadeira era outra: um olhar diferente sobre a experiência gastronômica, permeado pelo sonho e pela memória. Um diário afetivo e sensorial, como no começo.
O Avestruz seguirá em frente. A série sobre Buenos Aires, que mal havia começado, continuará. Mas a atenção estará redobrada, pois a bandeira do epicurismo é farol e guia. O guloso avestruz come de tudo, mas seu paladar percebe não apenas o doce e o salgado, mas sombras e reflexos.
Obrigado, alhos, por refrescar a memória e oferecer um blog tão saboroso. Adelante!
Escrito por oavestruz
Escrito por oavestruz
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