reflexões de um avestruz

Novembro 30, 2009

As coisas são estranhas. Ou melhor, ocorrem de maneiras estranhas, insuspeitas. Dias desses, li o lindo texto de alhos, passas e maçã sobre sua relação com gastronomia e a memória de seu pai. O texto, belíssimo e bem escrito até doer, cutucou este avestruz até não poder mais. No calor da emoção, escrevi um comentário que reproduzo abaixo:

Alhos,
Que baita texto este, rapaz, capaz de amolecer até coração feito de pedra. Já o coraçãozinho deste avestruz que vos escreve, e que perdeu o pai este ano, é feito de manteiga, gorda e generosa, como aquela que lambuzava os sanduíches de pão francês e presunto cozido da infância.
Meu velho, que cozinhava maravilhosamente bem e sempre reclamava do resultado, me ensinou tanto sobre comida, bebida, música e cinema, que olho no espelho e me vejo metade avestruz, metade reflexo e avesso deste cara que tanto amei.
Parabéns pelo blog e pelo texto.
Um grande abraço d’o avestruz

Estranho. Ainda sentia um gosto estranho, uma sensação de deslocamento. Demorou alguns dias até vir à tona, mas percebi que o avestruz estava perdido em sua gula e desconcentração. Na verdade, a brincadeira era outra: um olhar diferente sobre a experiência gastronômica, permeado pelo sonho e pela memória. Um diário afetivo e sensorial, como no começo.

O Avestruz seguirá em frente. A série sobre Buenos Aires, que mal havia começado, continuará. Mas a atenção estará redobrada, pois a bandeira do epicurismo é farol e guia. O guloso avestruz come de tudo, mas seu paladar percebe não apenas o doce e o salgado, mas sombras e reflexos.

Obrigado, alhos, por refrescar a memória e oferecer um blog tão saboroso. Adelante!


buenos aires, terra do ceviche – parte I

Novembro 12, 2009

Que a bola da vez na gastrononomia mundial é a culinária peruana o avestruz já sabia. Mas tanta oferta de peixe cru na terra da carne e do churrasco surpreendeu a este ingênuo comensal.

Restaurante peruano obviamente tem ceviche. Japonês é sinônimo de peixe cru e para servir ceviche é um pulo. Bares moderninhos também oferecem ceviche como um petisco (e funciona muito bem!). Mas quando uma parilla tipicamente porteña oferece ceviche na entrada, antes dos ojos de bife e chorizos, a invasão peruana em baires está definitivamente consolidada. E este avestruz que vos escreve não se fez de rogado!

Na primeira noite, o avestruz e sua digníssima esposa foram matar saudade  de um lugar que conheceram dois anos antes, o restaurante nipo-peruano Osaka. O ambiente japa-balada é gostoso e convidativo, um tanto ruidosa e alegre e conta com sushi bar, diversas mesas e um balcão de coquetéis. Sendo assim, mandamos um negroni e um bloody mary para aquecer os motores. Música alta, galera animada, poucos turistas e cozinha à todo vapor. Escolhemos o sushi bar por ser a primeira opção disponível e nos demos bem.

O avestruz resolveu agradar a digníssima e atacou de carpássion: carpaccio de salmão com molho de maracujá e mel. Estava saborosa e cumpriu seu papel de entrada com louvor. Mas o ceviche clássico de robalo, com milho tostado, cebola crua e batata doce, estava ótimo. Para acompanhar (e comemorar!), um espumante argentino muito bom, leve, ácido e refrescante: alma negra chardonnay, de ernesto catena.

A coisa ia tão bem que o avetruz resolveu arriscar: una porción de vieiras al curry. Ops! Melhor voltar aos pescados crudos! Ousadias no menu (e no pedido) têm um preço. Resolvemos navegar por mares já conhecidos e comemos tradicionais rolls e sushis, todos muito bem executados. A única nota negativa fica para falta de variedade nos peixes na noite de nossa visita, pois as opções sempre eram salmão e peixe branco (robalo). Bateu uma saudade do neguitoro do sushi lika!

Serviço

Osaka – Soler, 5608 – esq. Fitz Roy – Palermo Hollywood – Buenos Aires – Tel. 54 11 4775 6964


sub astor

Novembro 12, 2009

O luiz horta comenta em seu blog a dificuldade em esticar a noite com um bom drink e boas companhias (aqui).

Para este avestruz, que já foi mais coruja do que avestruz tempos atrás, a noite de são paulo anda careteando demais. Foi-se o tempo que podíamos terminar o papo em lugares aprazíveis, longe dos maurícios e mudernos, da tecnera ensurdecedora e dos pagodes de elevador.

Garanto, nas andanças deste avestruz (e que não são poucas), o Sub Astor é um oásis no deserto em que a noite paulistana se transformou. Ponto pro Ricardo e companhia. Uma pena pra sampa city, que ficou tão sem opção.

E pensar que, hoje em dia, as padocas também deixaram de vender cerveja depois que amanhece, deixando as corujas e avestruzes de plantão sem o gole de misericódia antes do berço.

serviço:

Sub Astor – R. Delfina, 163 – Vila Madalena – São Paulo – SP – tel. 11 3815 1364


na portuga com meus amigos

Outubro 25, 2009

O Avestruz andava com saudades dos verdadeiros amigos, de bom papo e de uma cerveja gelada. Marcamos de nos encontrar para um almoço descompromissado na Academia da Gula, misto de boteco e restaurante português na Vila Mariana.

Dona Rosa, portuguesa do Alentejo, cozinheira de mão-cheia e simpática que só, já virou referência pros botequinzeiros do pedaço. Seus pratos são deliciosas, tendo sido finalista do boteco bohemia algumas vezes.

Abrimos os serviços com uma serramalte estupidamente gelada e uma porção de punheta, bacalhau cru desfiado e marinado no azeite. Este petisco é dos pontos-altos da baixa gastronomia, um meio-termo entre a comida de botequim e o mais refinado restaurante português. O bacalhau dessalgado vem frio, suculento de tanto azeite, leve como uma pluma, acompanhado das indefectíveis azeitonas pretas portuguesas. Acompanhamento perfeito para resgatar os velhos tempos na companhia de velhos amigos.

Sentado àquela mesa, o avestruz percebeu que a vila mariana da portuga se encontra ensaduichada entre a modernização e a tradição, revelando nuances contemporâneas na sua carinha de bairro operário. Algumas casinhas deram lugar a prédios de alto padrão, mas o pequeno comércio ainda resiste e os arranha-céus convivem com mecânicas e barbearias de outros tempos, quando o avestruz passeava de bicicletas por estas ruas com ventos nos cabelos e um sorriso sonhador no rosto.

A animação aumentava a cada copo de serramalte e os amigos iam chegando pouco a pouco. Pedimos uma porção de moelinhas cozidas na cerveja, um dos melhores aperitivos que etse avestruz conhece, infelizmente rejeitado por alguns comensais de horizontes pouco amplos. As risadas ficavam cada vez mais altas. Os causos, cada vez mais cabeludos.

Experimentamos o novo petisco da casa, concorrente de mais um boteco bohemia: costelinha suína em vinha d’alhos com farofinha crocante. A mesa se dividiu. Alguns amaram. Outras se desapontaram. Este avestruz que vos relata admite que achou a farofinha mais saborosa (e surpreendente) do que a própria costelinha e sentenciou: não é páreo para a punheta, para a moelinha, para o escondidinho de bacalhau e muito menos para os incríveis bolinhos de bacalhau da dona rosa.

Sendo assim, todos os convivas concordaram em pedir uma porção dos pequeninos, crocantes e delicados bolinhos de bacalhau da dona Rosa. Um brinde à Portuga, gritaram enquanto a noite caía e o almoço virava happy hour. Que saudade dos meus amigos, da cerveja gelada e dos petiscos da Dona Rosa!

Serviço:

Academia da Gula – R. Caravelas, 374 - Vila Mariana – São Paulo – SP – tel. 11 5572 2571


sushi kyio, minha casa japonesa

Outubro 25, 2009

O avestruz estava cansado dos problemas do dia-a-dia, da canalhice de alguns clientes e da ganância de alguns donos de restaurantes. Percebeu que precisava de colo, de comida de mãe, delicada e afetuosa. Então, rumou para o sushi kiyo, o melhor restaurante japonês low-profile de são paulo.

O restaurante, localizado no bairro do paraíso, próximo ao ibirapuera, é uma casa tipicamente japonesa, com jardim oriental, tatamis reservados no andar superior e um balcão de sushi que é o melhor porto para atracarmos em momentos de tempestade. O ambiente é agradável, o serviço é simpático e afetuoso, mas é a cozinha que se destaca, seja nos pratos quentes tradicionais ou no balcão de sushis e sashimis. Kiyo e seu filho, Carlos, têm mãos de fada e cortam um peixe como poucos neste mar de restaurantes medíocres.

Nesta noite quente, o avestruz se deixou levar pela brisa e começou a noite de com um sashimi incrível de toro (atum gordo), salmão, buri (olho de boi) e tako (polvo). O toro estava inigualável e o avestruz sabe que, quando a maré está boa, o sushiman Carlos irá nos oferecer o melhor corte da barriga do mais gordo dos atuns! O buri também estava gordo e saborosíssimo. O tako, fresco e tenro, comprova a tese de que sashimi de polvo é o melhor termômetro para medir a competência de um restaurante japonês.

Enquanto isso, conversas com o Carlos, o sorriso carinhoso da Claudia, a atenção incomparável da Ana (by the way, a melhor garçonete ocidental de um restaurante japonês que o avestruz teve o prazer de conhecer). As coisas caminhavam tão bem que partimos para um carpaccio de robalo com molho tataki, sempre leve e refrescante.

Mas a patroa sentiu falta de arroz nesta história, então o avestruz solicitou 3 duplas de sushi: ikura (ovas de salmão vindas da california), unagui (enguia tenra e delicada com tarê) e do aclamado “patricinha” (barriga de salmão derretida no maçarico com raspas de limão e molho tarê), invenção do carlos.

Depois destes 3 rounds devidamente acompanhados pelo inseparável whisky cutty sark (harmonização com comida japonesa deverá ser tema de outro post, pois este é todo do kiyo), o avestruz já sentia mais esperança nos homens e no futuro. Era só pedir um banchá e ir pra casa. Arigatô gozai masta, Kyio-san e Carlos-san!

serviço:

Sushi Kyio – R. Tutóia, 223  - Paraíso – São Paulo – SP – tel. 11 3887 9148


casa godinho – tradição em gulodice

Outubro 16, 2009

Por motivos profissionais, O Avestruz esteve no centro de sampa hoje. E foi obrigado a fazer o já tradicional pit stop na Casa Godinho. Um misto de empório, padaria e confeitaria, a Casa Godinho é antiquíssima (fundada em 1888), linda de morrer, tradicionalíssima e está receheada de diversas gulodices, ou seja, é o paraíso terreno dos avestruzes que habitam sampa city.

O Avestruz poderia escrever sobre as lindas postas de bacalhau norueguês ou sobre as diversas opções de linguiças artesanais (alheiras, blumenau, chouriço, etc) que ficam nas prateleiras à espera dos clientes, mas este breve post é sobre mais uma das muitas taras gastronômicas deste Avestruz que vos escreve: empadinha.

A massa da empadinha da casa godinho é realmente uma delícia. Macia, “podre” e levemente amanteigada, ela destrói qualquer empadinha destas franquias que se espalham pela cidade. O tamanho é ótimo, nem pequeno, nem grande. E a diversidade de sabores é supimpa, coisa de gastronomia de botequim mesmo. Hoje o Avestruz se deliciou com 3 sabores de recheio diferentes: palmito, bacalhau e linguiça blumenau.

Os três estavam ótimos, mas o de linguiça blumenau surpreendeu pela qualidade e pela ousadia. E levou o troféu de gulodice da semana.

Viva a Tradição! E viva qualquer regra que possa ser quebrada!!

serviço:

Casa Godinho – R. Libero Badaró, 340 – Centro – São Paulo – SP – tel. 11 3105 1625


em busca da esfiha perfeita – parte I

Outubro 16, 2009

O Avestruz é louco por uma esfiha, apesar de não ser sírio, líbanês ou armênio. Na verdade, O Avestruz é paulistano da gema, ou seja, meio italiano, meio japonês, meio árabe, meio judeu, meio português, meio alemão, meio nordestino, meio americano; ou seja, paulistano. E glutão.

Na sua incansável busca pela esfiha perfeita, aquela de massa delicada, carne bem temperada e sabor marcante, O Avestruz irá listar seus lugares favoritos.

No Miski, esfiha é assunto sério. O Avestruz esteve lá este feriado e ficou na dúvida se elegia um padrão ou atirava para todos os lados. Ficou com o caminho do meio: experimentou muitas e elegeu 3 modalidades. A esfiha de massa folhada aberta com recheio de carne é dos DEUSES. Delicada e saborosa, com massa levemente amanteigada e carne muito bem temperada (leve presença das especiarias árabes), esta esfiha levou o troféu de ESFIHA PERFEITA da semana.

A fechada de ricota é incrível também. Massa fina, tem ótimo tamanho e recheio levemente úmido, com pedacinhos de tomate. A esfiha fechada de carne também é espetacular. A massa fina, delicadíssima, guarda um recheio de carne muito saboroso, molhadinho e temperado.

Só de escrever o post, deu uma vontade danada de voltar ao Miski e testar tudo de novo!

serviço:

Miski – Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1690 – Jardim Paulista – São Paulo – SP


saudade do léo

Outubro 1, 2009

Todo mundo tem um bar do coração. E de formação, claro. Este avestruz que vos escreve não nega sua predileção: o sessentão Bar Léo, que fica em plena cracolândia, no centrão de sampa.

Todo mundo que gosta da baixonomia (baixa grastonomia, pros preguiçosos) deve conhecer o Léo. Eleito diversas vezes o melhor chopp de são paulo, é o muso inspirador de bares bacanas como Original, Astor, etc. Seu chopp brahma cremoso, com 3 dedos de colarinho e servido no copo caldereta, virou sinônimo de chopp de qualidade na cidade.

Mas o Léo é muito mais do que um bar de chopp. E por isso, dediquei a ele meu primeiro post, que estava mofando lá no blogspot. Ei-lo aqui:

Ao Léo

O primeiro texto vai pra ele mesmo. Não poderia ser diferente. A primeira vez que pensei em escrever sobre comes, bebes y otras cositas màs, pensei em batizar a coluna com o nome deste santuário: Bar Léo.
Já se falou tudo o que se podia sobre o chopp cremoso deste veterano da boêmia paulistana. Mas degustá-lo é uma experiência única, sensorial, mágica. Frequento o Léo há pouco mais de quinze anos –uma merreca se comparada aos 60 e poucos anos de estrada do bar. Mas, a cada vez que estou lá, o primeiro gole do primeiro chopp é capaz de me fazer viajar no tempo. Volto ao dia em que descobri o Léo e seu chopp cremoso escondidos no meio da cracolândia paulistana. Casa cheia, rua lotada e o mau humor clássico dos garçons, contando bolachas de chopp, sorrindo apenas aos habitués. E depois vou mais longe, levado pelo sabor, pela temperatura ideal, pela consistência cremosa. Viajo pela boêmia paulistana, com sua ética de botequim, num balcão democrático; pela história da cidade, com ruas arborizadas úmidas da garoa e cortadas pelos bondes.
O Bar Léo é uma instituição paulistana. Dono do melhor chopp da cidade, é uma chama eterna que arde a memória de uma cidade melhor, alegre e democrática, respeitosa e divertida, e sempre saborosa.

Chopp é a pedida óbvia e obrigatória. Não ouse reclamar do colarinho, exibindo sua ignorância etílica: colarinho generoso em chopp cremoso ajuda a preservar sua temperatura, além de ser saborosíssimo. No Léo, a dica quente é se acomodar no canto do balcão, encostado à parede, e ser servido pelo sempre simpático Edson, que não deixará bolacha sobre bolacha. Quanto aos petiscos, o pecado é grande. Os canapés são imbatíveis, iguarias máximas da casa, especialmente o de carne crua (hackapeter, alemão até a medula) e o rococó (copa com gorgonzola: puro êxtase), preparados pelo Seu Luís, garçon da casa há quarenta anos. O parmesão e o bolinho de carne são as pedidas vice-campeãs, já que o bolinho de bacalhau reina absoluto como petisco mais desejado (servido apenas aos sábados, que lota de fiés seguidores). O almoço às sextas é imperdível: bacalhau com grão de bico, um espetáculo. Disputadíssimo também. E não esqueça de reservar o pudim de leite de sobremesa, pois costuma durar pouco.

De resto, bier über alles!
Serviço
Bar Léo – R. Aurora, 100,  Centro, São Paulo. tel  11 3221 0247


la frontera, amor à primeira visita

Setembro 30, 2009

O avestruz tem hábitos estranhos. Adora voltar aos mesmos lugares, ter pratos favoritos, ser reconhecido pelos funcionários. E o La Frontera, na consoleta, foi amor à primeira visita. O restaurante já nasceu com pedigree, das mãos experientes de Ana Massochi (dona do adorável Martin Fierro) e do chef Léo Botto.

No meio de um dia sem graça, entre reuniões de trabalho, o avestruz e sua patroa aportaram no La Frontera para almoçar. Escolhemos o “menu agradável” por módicos R$ 35,00, composto por uma opção de salada (verde ou grão de bico), prato principal (ojo de bife ou peixe do dia grelhado) e sobremesa.

Quando chegou o couvert, o avestruz percebeu que o jogo era sério. Um pão italianado rústico, com casca crocante e miolo tenro, veio à mesa acompanhado de azeite extravirgem (viva!!!!) e um antepasto de berinjela dos deuses.

A salada de grão de bico com hortelã, cebola roxa, creme azedo de queijo de cabra e flat bread estava saborosíssima. Imperdível, como bem disse a patroa. Eis que chega o ojo de bife, com 2,5 cm de altura e no ponto perfeito (entre mal passado e ao ponto, vulgarmente conhecido por “antes do ponto”). Estava acompanhado de um delicado chimichurri e do MELHOR, atenção glutões de todo o mundo, do MELHOR purê de batatas que o avestruz já encontrou em sua cruzada gastronômica, pois é feito com batatas assadas na brasa.

A sobremesa era ótima: canjiquinha com raspas de coco queimado e dulce de leche. Leve e saboroso. Na mosca! Para melhorar, a carta de vinhos é boa, com bons rótulos a preços razoáveis.

O avestruz foi obrigado a voltar outras tantas vezes. E a levar amigos e familiares, que compartilharam do manjar dos deuses que é servido por lá. O ambiente  é agradabílissimo, com um amplo salão bem decorado, janelões de madeira de um lado e um convidativo balcão o outro. Ao fundo, a cozinha envidraçada. O avestruz recomenda vivamente outros pratos, em especial o fettucine carbonara brasileiro  (com queijo da serra da canastra) e a paleta de leitão assada por 3 horas acompanhada de farofa crocante.

como diria meu irmãozinho: não perdam!

serviço:

rua coronel josé eusébio, 105, higienópolis, são paulo. tel 11 3159 1197


dona onça meets o avestruz

Setembro 30, 2009

Numa terça-feira frioa e chuvosa, o avestruz e sua digníssima patroa foram visitar o afamado Bar da Dona Onça. Botequinzeiro legítimo que é, o avestruz já deveria ter feito esta visita há muito tempo, mas a rapadura anda mais dura do que doce e faltou oportunidade.

A localização é invrível, no centrão de sampa city, sob o edifício copan. E o visual agrada aos olhos: um belo salão com janelões para a rua, um balcão simpático e uma enorme lousa com diversos dizeres, inclusos aí os pratos do dia. a coisa promete, pensei.

Resolvemos degustar os “belisquetes”, nesta ordem: canapé de blumenau com mostarda dijon e picles, mini-rabada, bolinhos de espinafre assados e, por último, hamburguer com ementhal e foie gras. Para acompanhar, um pinotage sul-africano.

E aí, o serviço escorregou. O couvert não apareceu na mesa e ninguém nos perguntou se queríamos ou não. Pra piorar, a mini-rabada chegou antes do canapé, diferentemente do combinado. A atendente, muito simpática, pediu desculpas e disse que a cozinha se atrapalhou.

Nós sabemos que trapalhadas acontecem e resolvemos nos concentrar no rango. A mini-rabada abriu os serviços com maestria: estava deliciosa. Os outros pratos desapontaram: o bolinho de espinafre tem uma receita bem interessante, apesar de um tanto seco; o hamburguer estava gostoso, mas não era memorável;  e o canapé foi o ponto fraco, seco, com pouca linguiça blumenau e apenas uma lasquinha de picles (quem já comeu o canapé de blumenau do bar léo sabe do que o avestruz está falando).

Mas, como não desisitimos nunca, partimos para a sobremesa, sem saber o que nos esperava. E aí, o grand finale: mini-churros, cobertos com canela e açúcar acompanhados de doce de leite. Epifania pura. O avestruz lembrou do churros da infância, na saída do clube, de cabelo molhado da pisicna e todo lambrecado de doce de leite.

Moral da história: o avestruz vai fazer o tira-teima com a dona onça, pois lá tem cheiro de coisa boa, apesar das tropeçadas no primeiro round.

serviço:

bar da dona onça – av. ipiranga, 200, lojas 27/ 29, edifício copan, centro, são paulo. tel. 11 3257 2016